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Assim como o agente Mulder, eu já fui um apreciador de filmes pornôs. Com o tempo, meu interesse foi diminuindo, junto com a qualidade dos mesmos. Hoje em dia, só mesmo a curiosidade, cada vez mais rara, me faz freqüentar a sessão adulta da locadora.
E a culpa não é minha, não me tornei menos tarado com o tempo, os filmes é que entraram em uma espiral descendente de falta de qualidade que parece não ter fim.
Com exceção dos japoneses e algum freak show alemão, todos os filmes produzidos mundo afora sofrem influência da indústria americana. É impossÃvel saber onde um filme foi feito se tirarmos o volume da televisão.
As atrizes, sejam loiras ou morenas, têm todas o mesmo tipo fÃsico e reproduzem a mesma mÃmica artificial que causa qualquer coisa, menos excitação no público.
Tirando adolescentes espinhentos que vêem novidade em tudo, um adulto dificilmente consegue manter a atenção e ficar acordado depois de 30 minutos de Oh yeah, oh yeah gritado hipnoticamente, como um mantra débil-mental, a 120 decibéis.
Mas qualquer filme pornô internacional pode ser considerado uma maravilha da sétima arte, se dermos uma olhada na…
Nossos produtores seguem à risca as “tendências internacionais”, segundo alguém do meio a quem assisti sendo entrevistado.
Se filmes pornôs seguem uma série de clichês, o filme pornô brasileiro acrescenta alguns agravantes aos mesmos. Senão vejamos.

Confie em mim. Se você teve uma atração irresistÃvel por alguma musa da sua adolescência, faça um favor a si mesmo e não assista a nada que ela fizer de filme pornô. Eu assisti à estréia da Regininha Poltergeist no meio e me arrependi até a medula.
Antes tivesse ficado com a imagem da mesma rebolando lépida e fagueira em um biquÃni rosa, no auge da boa forma.
Alguém estabeleceu os pilares da indumentária pornô, utilizando sabe-se lá quais critérios, e isso se tornou um dogma imutável através dos tempos. Todo filme pornô produzido na face da terra segue isso à risca.
Aparentemente, mulheres ficam mais sexy utilizando um salto de 25cm, em toda e qualquer situação, 24h por dia. Elas não tiram o salto alto nunca, seja na piscina, no banho ou na cama.
O salto deve ser fino, muito fino, o que para mim torna tudo muito mais broxante ainda. Eu não ficaria à vontade com uma mulher que pode furar meu olho com um salto agulha, tão agulha que parece faltar apenas uma seringa, em um movimento mais desajeitado.
Tudo bem, uma cinta-liga pode ser sexy. Mas quantas mulheres você conhece que usam isso o tempo inteiro? E a novidade, onde fica? Todo filme pornô mostra mulheres vestidas como se fossem trabalhar na Tia Carmen.
E o restante da roupa? Considerando que a maior parte da produção acontece no Rio e em São Paulo, qual a probabilidade da temperatura permitir o uso de um casaco de peles?
Morango com champanha, não importa a hora do dia ou da noite. Quer conquistar uma mulher, quer parecer sexy para um homem? Morango com champanha.
Nesse caso, é permitida apenas uma variação: morango com chantily. Esqueça o almoço, o jantar ou qualquer outra coisa.
Se no futuro arqueólogos tentarem entender nossa civilização através dos DVDs pornôs encontrados, concluirão que nos vestÃamos como pitboys ou dançarinas de strip tease e nos alimentávamos à base de champanha, morangos e chantily.

Se no passado pornô era pornô e ponto final, hoje em dia existe um subgênero para cada gosto possÃvel e imaginário. Acredito até que muitos subgêneros são criados à espera do possÃvel público.
Mas isso não é nada, o pior é a enganação em alguns nichos.
Em um determinado momento, alguém descobriu que produções caseiras tinham mais apelo pela naturalidade. Foi o que bastou para matar o gênero.
Hoje em dia, existe toda uma indústria com diretores, atores e atrizes especializados em filmar cenas caseiras.
As pessoas são curiosas por natureza, todos gostam de espiar, certo?
O cinema pornô sabe disso e, adivinhe? Toma câmera “escondida”.
Claro que você acredita que as mulheres se masturbam aos gritos, revirando os olhos e utilizando vibradores que parecem mais um mÃssil teleguiado.
Subgênero tÃpico brasileiro, criado por culpa da Band.
Em uma época remota nos idos do século passado, a então TV Bandeirantes transmitia bailes de carnaval direto dos salões cariocas. O mulherio, que na época já gostava de aparecer, se exibia e, sozinhas ou em grupos, passavam a impressão de que tudo era uma grande orgia romana.
Uma semana ou duas após o Carnaval, surgiam os vÃdeos com “aquilo que a TV não mostrou”.
Esse filão foi se corrompendo, primeiro oferecendo dinheiro, ou passando a conversa pura e simples, nas mulheres dos bailes, para que as mesmas gerassem mais ação. Depois, infiltrando atores e atrizes no meio dos salões, para protagonizar as cenas calientes.
Por último, deixaram apenas os atores e atrizes e removeram o público normal. Está pronta a receita do pornô de carnaval pasteurizado.
O gênero irá sobreviver? Certamente, enquanto pessoas nascerem haverá interesse por filmes pornôs. As tendências continuarão a surgir, os dogmas continuarão a ser praticados.
Mas ao menos podiam tirar o salto alto, aquilo me dá arrepios.
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